
A revista inglesa Granta lançou uma edição com textos do que ela considera os melhores jovens escritores brasileiros (abaixo dos 40 anos). No caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo, de 2 de set, Luís Augusto Fischer compara a antologia com duas anteriores (de 2000 - Os cem melhores contos brasileiros do século e de 2001- Geração 90 - Manuscritos de Computador). Entre as conclusões consta o seguinte: metade dos contos apresentam personagens que são escritores (contra 18 % na "Geração 90"); 90% dos personsagens relevantes se encontram nas classes confortáveis (enquanto nas antologias anteriores havia bem mais gente pobre). A maioria dos narradores da seleção de Granta conta sua história na primeira pessoa, como testemunhas. As diferenças são muitas e, segundo Fischer: "A Granta parece ter fotografado um momento antipovo e autoreferrente, na geração mais nova, que surfa num mercado mais maduro". No final de seu artigo, o autor faz uma advertência que chama a atenção. Segundo ele, a coletânea da revista Granta permite observar duas linhas distintas a respeito dos novos escritores. Uma linha convergente: a nova geração se afina com o papel de "global player" pretendido pela economia brasileira que se volta para fora. Outra linha divergente: a nação continua convivendo com a corrupção sistêmica e com as "enormes desigualdades sociais já quase invisíveis de tão antigas" mas a nova geração parece passar ao largo disso, nas palavras de Fischer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Diga: