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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Começar de novo: boas vindas a todos!

Enquanto ajustamos os relógios, a fim de recuperar os 60 minutos que o horário de verão nos tomou emprestados meses atrás, convém lembrar a todos os acessantes deste blog que as aulas na Unisuam começam na próxima segunda-feira, dia 22. Já que o assunto é da hora, informo aos menos atentos que o horário de aulas mudou. Para as turmas da manhã, será de 8:30h às 12h. Para o turno da noite: de 18:30h às 22h.
Como proposta de reflexão para o semestre que se inicia, transcrevo aqui o discurso proferido por um de nossos professores durante a solenidade de colação de grau realizada em janeiro. O nome dele segue abaixo, como assinatura. Bom semestre a todos, boas aulas.
"É um dia importante para vocês e fico honrado pela homenagem, pois ela significa que vocês valorizam a minha contribuição para que tenham chegado até aqui. Não digo isso só por vaidade, mas porque minha contribuição foi ter tentado, durante esses anos, compartilhar com vocês algumas idéias que eu mesmo considero importantes. A homenagem representa, para mim, que vocês também aprenderam a valorizar essas idéias, ou ao menos parte delas. É de algumas delas que quero falar a seguir.
Sempre insisti que o ensino superior é mais do que formação para o mercado de trabalho. É também e, principalmente, o melhor caminho para se desenvolver uma visão crítica desta estranha entidade chamada 'mercado'. O que é um mercado? Superficialmente falando, um local onde pessoas compram e vendem coisas. E o mercado de trabalho? Um local onde se compra e vende trabalho. Mas o que é o trabalho? Rigorosamente, a capacidade humana de produzir coisas úteis e necessárias, para si mesmo ou para os outros. E o que é, afinal, o mercado em geral e o mercado de trabalho, em particular, vistos mais de perto, isto é, com um olhar crítico? Instituições sociais nas quais os proprietários do capital, alugando a força de trabalho alheia por um preço inferior à sua capacidade produtiva, obtêm, quando bem sucedidos, lucro, mediante a venda dos produtos ou serviços produzidos pela força de trabalho empregada, que é, fatalmente sub-remunerada. Tirando isso, o que há de errado com o lucro? Nada, fora o fato de que é para poucos.
Entretanto, sempre se trabalhou e sempre se trabalhará. Mas nem sempre houve e nem sempre haverá uma entidade irracional chamada 'mercado' ditando todas as formas de como e no que trabalhar, definindo o que produzir ou qual será a remuneração e a capacidade de consumo de cada um. Pois o caráter excludente do mercado o torna insustentável a longo prazo, isto é, para as futuras gerações. O que virá depois? Uma sociedade mais justa ou o colapso civilizatório: guerras, violência urbana, fome, doença, numa escala sem precedentes, dada a capacidade destrutiva de que a humanidade de hoje dispõe.
Mas a capacidade produtiva e, permitam-me a metáfora, 'curativa', de que dispomos é igualmente imensa e pode crescer ainda mais, se for redirecionada para o bem estar da maioria das pessoas e do planeta, não para o lucro de poucos. Isso vai depender da consciência e da ação de quem trabalha hoje. O ensino superior é um espaço privilegiado para a formação dessa consciência, que deve orientar essa ação.
Esta é uma das idéias que tentei compartilhar com vocês, sem jamais impô-la. Outra, menos polêmica: enquanto as coisas não mudam, é importante que as conheçamos como são, para podermos lidar com elas de modo realista. Nunca estimulei ilusões sobre revoluções depois de amanhã, tampouco sobre mega sucessos ou estrelatos no mundo da mídia. O bacharelado em comunicação social, com seus cursos de jornalismo e publicidade, não tem por objetivo formar celebridades.
Por outro lado, fiz sempre questão de defender a importância de uma formação qualificada para que aumentem as chances de cada um no jogo ultracompetitivo do mercado atual. Em outras palavras, desenvolver uma visão crítica da nossa época, da nossa sociedade, não significa viver de ilusões, não implica em deixar de lado a competência técnica e teórica necessárias para que se busque a melhor colocação possível no mercado atual, para o exercício da profissão.
Da competência técnica, não falarei, pois meus colegas são mais habilitados que eu para isso. Quanto à competência teórica, o que é isto? É o resultado da busca incessante por uma visão de conjunto em qualquer área, é abertura para o novo, é curiosidade intelectual, é suspeita das ilusões e respostas fáceis ou prontas. É conhecimento consistente dos fatos e das teorias que os têm analisado e explicado ao longo da história.
O mundo da comunicação é rico, vasto, complexo, na teoria e na prática. Costumo brincar com meus alunos, quando reclamam de algum texto teórico 'complicado' - digo que complicada é a sociedade, o mundo, a vida, os fatos. É verdade que fatos simples podem ser explicados com simplicidade, mas fatos complexos, nem sempre. Além disso, por detrás da simplicidade aparente de muitos fatos ou conjuntos de fatos, um olhar mais acurado pode descobrir conexões, causalidades, riscos, possibilidades, desdobramentos invisíveis para um olhar ingênuo ou superficial. Para isso se estuda e se faz ciência, em nosso caso, ciência social - aplicada, pois é isso que a comunicação é. Para entender a sociedade e atuar sobre ela, com responsabilidade.
Aqui chegamos em mais um ponto que considero especialmente importante. O que é responsabilidade? É estar pronto para responder sobre as consequências de nossas ações, responder aos outros e à nossa própria consciência. E o que orienta nossas ações? As ordens do patrão, dirão muitos, e, sendo realista, isto é em grande parte verdadeiro. Mas temos sempre alguma margem de autonomia, de independência, em qualquer setor de atuação. E nem sempre o patrão é um monstro. Por outro lado, o que o chefe mandar, faremos todos? Sempre? Incondicionalmente? E se mandar vender a mãe? Desculpem o exemplo rude, mas ele possui uma intenção didática, de provocar a reflexão sobre os limites do que se deve obedecer. E se o chefe mandar iludir a opinião pública no intuito de favorecer interesses particulares, que prejudiquem esse mesmo público, cujo direito à informação verdadeira, contextualizada, esclarecedora, deveríamos defender?
Tocamos agora no tema da ética e do compromisso com a cidadania. Ninguém nasce com esse compromisso, assim como ninguém nasce pensando cientificamente. É para isso, no meu entender, que serve o ensino superior: para formar profissionais que possuam, além, evidentemente, da necessária competência técnica para a prática profissional, senso ético e espírito crítico altamente desenvolvidos. O diploma de graduação no ensino superior, idealmente, deve representar que o estudante terá obtido essa competência, esse senso ético, esse espírito crítico. Na mesma e exata medida em que isso é verdade, parabéns a todos. Obrigado."
(Professor Dr. Marco Schneider - Patrono da Turma de Comunicação do 2o. Semestre de 2009)

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