A proposta agora é fazer uma leitura crítica ou observação crítica da matéria de
O Globo, intitulada
Banda larga dá um salto de 71% no Brasil, assinada por Mônica Torres e publicada em 14 de janeiro de 2011, na página 24, seção
Digital & Mídia, do caderno de Economia. Com texto grandiloquente - como costuma acontecer com notícias sobre a internet - a reportagem menciona vários números e percentuais fabulosos. Tais como:
salto de 71 % - 14,2 milhões de novas conexões - aumento do 3G de 8,7 para 20,6 milhões - serviços de banda larga em 1.059 cidades ou 68% da população - proposta do Plano Nacional de Banda Larga, PNBL, é atender 88% da população até 2014. Os números impressionam, mesmo que não sejam comparados com nenhum outro país. Aliás, é aqui neste ponto que cabe a crítica. Embora a matéria seja estritamente sobre o que está acontecendo ou para acontecer no Brasil, a foto que a ilustra é da
AFP,
Agence France-Presse. É uma foto de arquivo e sem legenda indicadora de lugar. Claro que não seria impossível algum fotógrafo da
AFP ter feito a foto no Brasil. Mas a impressão que passa é que a mulher sentada em frente ao notebook com uma xícara de café ao lado não está numa calçada brasileira.
Pode ter sido por praticidade, por conveniência, até mesmo pelo valor simbólico da imagem, isto é, talvez o editor entenda que no mundo sem fronteiras da internet, a imagem poderia vir de qualquer lugar. Além do mais, deve ser mais barato e mais rápido, capturar uma foto de agência na própria rede do que encomendá-la a um repórter fotográfico. O fato, ou a hipótese já que não há prova, confirma o que estudiosos de jornalismo já apontam há algum tempo: a hegemonia da redação sobre a reportagem. Em resumo, pode haver até justificativas, mas a foto deveria documentar o que diz o texto e, no caso, ela apenas ilustra.
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