
O aniversário de 50 anos de Brasília tomou conta do noticiário no Dia de Tiradentes. O jornalismo formador de opinião contou pouco sobre a história do mártir da Inconfidência Mineira. Preferiu entrevistar os candidatos à Presidência da República: Dilma Roussef (Band) e José Serra (SBT). No Twitter, Ricardo Noblat relatou e comentou as entrevistas. O destaque, no entanto, foi para a festa na capital do país, construída pelo Presidente Juscelinho Kubitschek em tempo recorde e inaugurada em abril de 1960. O jornalista Bóris Casoy chegou a criticar os elogios frequentes ao projeto de Oscar Niemeyer. Segundo ele, pouco se fala que a inflação brasileira começou com os gastos de JK que teria mandado transportar tijolos de avião para concluir sua obra mais rápido. Casoy disse ainda que, para alguns arquitetos, o monumento será considerado obsoleto daqui a 50 anos.
Sem políticos? Mas o que chamou atenção mesmo na cobertura foi a escolha editorial de mostrar que a festa pelo aniversário ficou por conta do povo. Pelo menos na Band e na Globo, a intenção clara foi barrar os políticos da cena e da festa. O Quarto Poder, que deveria sustentar a Esfera Pública tanto quanto o Parlamento, manteve a imagem do Congresso Nacional como simples ícone decorativo. Uma capa, dentro da qual o que acontece não importa. O mesmo vale para o fato de o governador do Distrito Federal ter sido cassado, recentemente, por corrupção.
O que festejar? A festa é para comemorar os 50 anos da cidade que é sede também do Segundo Poder. Lugar onde deveriam estar sendo decididas as principais questões que interessam à população. Onde se define o orçamento e a quantidade de recursos que serão investidos em educação, em saúde, em moradia, transporte, alimentação, segurança e emprego. Mas, vejam só que bonito - dizem os coleguinhas jornalistas - a matéria foi excelente porque não mostrou nenhum político. Pois bem, são 81 senadores e 513 deputados federais, de 21 partidos políticos, que decidem a vida de quem mora em Brasília e no resto do País. É compreensível que o jornalismo não queira servir de palanque para as 594 "Excelências" em data histórica tão relevante. Todavia, se é assim, será que há mesmo tanto motivo para comemorar?
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