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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Você conhece o Rio? Eis as respostas.

1) A primeira imagem é do Obelisco da Cinelândia. Construção arquitetônica que lembra os egípcios, o obelisco carioca foi inaugurado em 1906. Tem 18 metros de altura e 27 toneladas de granito, trazidas do morro da viúva. A obra é de Eduardo de Sá, por encomenda da firma Januzzi e Irmão, como forma de presentear a cidade em comemoração à abertura da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco. Na época, o prefeito Pereira Passos mudou a paisagem do centro do Rio ao abrir uma avenida que começa na Praça Mauá e termina na praça da Cinelândia, ou no Obelisco. Em 1930, como haviam prometido ao começarem o movimento que levaria Getúlio Vargas ao poder, os revolucionários amarraram seus cavalos no Obelisco.
2) Teatro Municipal. A segunda foto é do fabuloso Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A fábula começa pelo valor estimado da obra. Segundo alguns sites que andei pesquisando, em valores da época, o custo foi equivalente a 2% do PIB brasileiro. Só para dar uma idéia, este percentual, hoje, corresponde a mais ou menos R$ 58 bilhões. O Municipal foi inaugurado em 14 de julho de 1909, pelo então Presidente da República Nilo Peçanha. Com capacidade inicial de 1.739 espectadores, após algumas reformas, o teatro tem hoje 2.361 lugares. O engenheiro Francisco Pereira Passos, prefeito do Rio de 1902 a 1906, planejou o Theatro Municipal como toque final da reforma que realizou na cidade. O projeto arquitetônico tem como autores Francisco de Oliveira Passos e Albert Guilbert. Os dois haviam empatado no concurso organizado para decidir quem faria o novo teatro. A solução foi fundir os dois projetos. Vale mencionar a polêmica da época pelo fato de um dos concorrentes, como já revela o sobrenome, ser filho do prefeito. O desenho do prédio foi inspiradeo no da ópera de Paris, construída por Charles Garnier.
3) Sala Cecília Meireles. Espaço dedicado à música de concerto, conforme define o site da própria Sala. Fica no Largo da Lapa, 47 e foi inaugurada em 1 de dezembro de 1965, ano do IV Centenário da cidade, quando era governador da Guanabara Carlos Lacerda. A Sala Cecília Meireles está ladeada pelos Arcos da Lapa, construídos em 1723 e pela Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro, de 1752. Tem capacidade para 835 lugares.
4) Escola de Música da UFRJ. O prédio, na Rua do Passeio, 98, é de arquitetura eclética, no estilo neo-renascença, construído pela firma Rebechi e Cia. É tombado pelo patrimônio municipal. Trata-se da mais antiga instituição musical do Brasil. Nasceu da Sociedade de Música, cujo objetivo era defender os direitos dos músicos, em 1841 pelo maestro Francisco Manuel da Silva, autor da música do Hino Nacional Brasileiro. Recebeu o título de Conservatório de Música, sendo instalado no salão do Museu Nacional. Em 1855, foi anexado à Academia de Belas Artes. Em 1890, o Marechal Deodoro da Fonseca, à frente do governo provisório da República, extinguiu o conservatório e criou o Instituto Nacional de Música. Em 1913, sob a direção de Alberto Nepomuceno, o instituto passou a ocupar as instalações do prédio que abrigava até então a Biblioteca Nacional. Em 1937, a Universidade do Rio de Janeiro passa a chamar-se Universidade do Brasil e o Instituto Nacional de Música torna-se Escola Nacional de Música. A atual designação de Escola de Música é de 1965, quando um decreto do governo militar transformou a Univesidade do Brasil em Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Mas tem mais...
No local onde se encontra hoje a Escola de Música havia a Lagoa do Boqueirão. Em meados do séc XVIII, o governador D. Luis de Vasconcelos decidiuu aterra a Lagoa para desobstruir o acesso à Zona Sul e sanear a cidade. No local, mandou construir o primeiro jardim público do país, para servir ao lazer da população da cidade: o Passeio Público. O aterramento da lagoa provocou o porvoamento da região, que cresceu em torno da igreja de Nossa Senhora do Carmo do Desterros da Lapa, que deu origem ao nome do bairro.
5) Igreja de Santa Luzia. A igreja foi construída em 1752 como uma modesta igrejinha. Em 1817, D. João mandou abrir a Rua de Santa Luzia, até o Convento da Ajuda. O motivo era que ele precisava pagar uma promessa feita à Santa pela cura de seu neto, o Infante D. Sebastião, que estava doente dos olhos. O caminho existente não permitia passar de carruagem e o Rei não iria pagar uma promessa a pé. Existe outra versão, segundo a qual, Fernão de Magalhães (o navegador português que fez a primeira circum-navegação no globo), ao aportar à Baía de Guanabara, teria mandado erguer uma primeira capelinha no local, para nela colocar uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes. A Igreja de Santa Luzia tem muito que ver também com a Esplanada do Castelo, formada pelas avenidas: Presidente Antônio Carlos; Churchill; Franklin Roosevelt; Presidente Wilson; Marechal Câmara; Graça Aranha; e Almirante Barroso, entre outras, surgidas com a demolição do Morro do Castelo. A nova paisagem - conjunto urbanístico-arquitetônico de obras Art Deco - expandiu-se ao longo de toda a década de 1930, sob inspiração e patrocínio do Estado Novo de Getúlio Vargas. O material retirado do desmonte do morro foi utilizado para aterrar a área em frente ao atual Museu Histórico Nacional, e a Praia de Santa Luzia, indo alcançar o Obelisco do final da Avenida Rio Branco e o Aterro da Glória, que deu início ao Aterro do Flamengo.
6) Palácio Pedro Ernesto. Inaugurado em 1923, na gestão de Carlos Sampaio, então prefeito do Distrito Federal. Sua construção custou 23 mil contos de réis, o dobro do Teatro Municipal (10 mil contos de réis). Segundo o historiador Brasil Gérson, nasceu daí o apelido de "Gaiola de Ouro" (o prédio parece com uma gaiola gigante!). Foi a partir de 1977 que o Palácio Pedro Ernesto passou a abrigar a Câmara Municipal do Rio. A construção ficou a cargo do empreiteiro Januzzi, o mesmo que construiu a Avenida Rio Branco. Heitor de Mello, responsável pelol projeto, faleceu antes de ver a obra concluída. Seu companheiro de escritório, Archimedes Memória, finalizou a construção do palácio.
7) Biblioteca Nacional. Também conhecida como Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Segundo a Unesco, é a sétima biblioteca nacional do mundo e a maior biblioteca da América Latina. Entre suas responsabilidades estão a preservação e atualização de 9 milhões de itens, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas. A inauguração da sede atual, na Avenida Rio Branco, 219, Praça da Cinelândia, aconteceu em 29 de outubro de 1910, durante o governo Nilo Peçanha. Antes a biblioteca ficava no Largo da Lapa, de onde, ao sair, deu lugar à Escola Nacional de Música. O projeto é do Engenheiro Francisco Marcelino de Sousa Aguiar. O estilo eclético mistura elementos neoclássicos e art nouveau. Na fachada principal, o edifício tem um pórtico com seis colunas coríntias, que sustentam o frontão ornamentado por um grupo de bronze, tendo ao centro a figura da República, ladeada por alegorias da Imprensa, Bibliografia, Paleografia, Cartografia, Iconografia e Numismática.
8) Igreja da Candelária. A história de como nasceu a igreja é quase lendária. Mas, antes, valeria a pena saber o que significa "candelária". Segundo definição do dicionário Aurélio: "Festa da Purificação da Virgem Maria, a 2 de fevereiro; festa das candeias (vela)". Bem, conta a lenda que o casal de espanhóis Antônio Martins Palma e Leonor Gonçalves quase naufragaram a bordo do navio chamado Candelária, durante uma tempestade no século XVII. O casal prometeu que, se escapasse,construiria uma ermida (capela) dedicada a Nossa Senhora da Candelária, onde aportassem. A nau finalmente aportou no Rio de Janeiro e a promessa foi cumprida em 1609. A capela original foi reconstruída em 1710, mas foi derrubada em 1755. A nova igreja, projetada por Francisco Roscio, foi benta em 1811, na presença do Príncipe Regente D. João.

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