DIPLOMA, STF E FORMAÇÃO SUPERIOR EM JORNALISMO
O Curso de Jornalismo da Unisuam, na pessoa deste coordenador, de outros professores, em seus veículos laboratoriais como o Jornal Fonte, a Rádio Fonte e o Centro de TV, no próprio site da Unisuam, além de discussões em aulas, palestras e eventos dedicados aos alunos, participou de todas as ações, eventos, reuniões, atos públicos e manifestações que antecederam a lamentável decisão do Supremo Tribunal Federal no dia 17 de junho de 2009.
Entendo que, ao fazê-lo, estivemos sendo coerentes com os princípios que nos orientam, nos movem e legitimam nossa atividade de educadores responsáveis pela formação de jornalistas graduados no ensino superior.
Muito mais do que diploma, estamos comprometidos com a formação de qualidade.
Respeitamos e tentamos responder aos chamados das entidades representativas da classe profissional a que nossos alunos irão pertencer.
Desde o início o que nos motivou não foi a necessidade de ter ou não ter alunos interessados em cursar Jornalismo. Em vez disso, nossa motivação maior sempre foi a necessidade democrática e cidadã que a sociedade brasileira reconhece na qualificação daqueles que irão lhe trazer as informações indispensáveis para formar suas opiniões.
Abaixo, a carta que esta Coordenação está encaminhando aos alunos e demais interessados no Curso de Jornalismo da Unisuam:
Por 8 votos a 1, sem unanimidade portanto, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do diploma de graduação específica para o exercício do Jornalismo.
O Curso de Jornalismo da Unisuam lamenta a decisão que, além de um retrocesso, desrespeita conquistas históricas da categoria dos jornalistas.
Enquanto durou a batalha, estivemos ao lado da Federação Nacional dos Jornalistas, a FENAJ, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, FNPJ, da Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Jornalismo, SBPJOR. Também escreveram ou manifestaram apoio à exigência nomes como Nilson Lage, Muniz Sodré e tantos outros, com os quais concorda a maioria da população brasileira consultada em pesquisa encomendada pela Fenaj na qual mais de 70 % dos entrevistados se disseram favoráveis à exigência do diploma.
Conforme sugestão do Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes, caberá agora às empresas jornalísticas decidir quem deve ser contratado como tal.
Batalha encerrada, é necessário esclarecer alguns pontos:
1) Prossegue a necessidade da luta pela qualidade da informação isenta, pela independência e pela qualificação profissional dos jornalistas, em nome do interesse público;
2) O que o STF derrubou não foi o diploma, mas sim a exigência com a qual o Ministério do Trabalho podia contar para fiscalizar o exercício profissional, doravante entregue aos patrões;
3) Nada afeta ou modifica as exigências de qualidade na formação de nível superior para jornalistas, haja vista que o Ministério da Educação está prestes a reformular as diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo justamente como forma de garantir tal qualidade.
4) O Curso de Jornalismo da Unisuam reafirma, neste momento histórico, sua mais forte convicção e disposição em formar jornalistas éticos, comprometidos com a defesa da cidadania e plenamente aptos, do ponto de vista teórico e prático, a disputar seu lugar no mercado de trabalho.
O que mudou é que não basta mais dispor de um diploma. Agora estaremos empenhados em formar jornalistas que não apenas possam exibir com orgulho seu diploma de graduação, mas com mais orgulho ainda, se apresentem às assessorias, às redações, às emissoras de rádio ou Tevê, aos sites, de outros ou deles próprios, com o diploma do Curso de Jornalismo da Unisuam.
A Coordenação.
PROSSEGUE A SAGA DO DIPLOMA E DO CURRÍCULO! Eis os novos capítulos. Em março, no prédio do Ministério da Educação, houve a primeira audiência pública, convocada pela comissão de notáveis criada pelo Ministro Fernando Haddad para formular a proposta de novas diretrizes curriculares nacionais. Tive a chance de falar e pedi atenção especial para a verificação das diretrizes na realização do Enade e, ainda, que se levasse em consideração os projetos de extensão que, no caso da Unisuam, nos permitem manter em funcionamento uma rádio, um jornal e uma Tevê laboratório, além do projeto Foco no Futuro que busca qualificar como fotógrafos profissionais jovens moradores do Complexo do Alemão.
A audiência tinha como objetivo ouvir representantes da academia. A segunda audiência aconteceu em Pernambuco, a fim de ouvir pessoas que falassem em nome do mercado profissional. A terceira audiência aconteceu em São Paulo e teve como objetivo ouvir representantes da sociedade civil.
Terminado o ciclo das audiências públicas, a comissão conseguiu pautar o programa de hoje - 26 de maio - do Observatório da Imprensa. A produção de Alberto Dines chamou para a mesa: O professor José Marques de Mello, a professora Ana Arruda Callado e o professor Caio Túlio Costa. Três professores que também são jornalistas. De quebra, o programa ainda exibiu entrevistas gravadas com o ombudsman da Folha de S. Paulo Carlos Eduardo Lins da Silva; o professor Muniz Sodré (ECO-UFRJ) e ainda os responsáveis pelos cursos de jornalismo da ECA-USP; da UFPE e da PUC-RS, apontados pelo programa como referências de bons cursos. As opiniões divergem. A discussão eterna sobre teoria e prática permanece valendo. Houve quem defendesse como a solução mágica, que os jornalistas deveriam vir de algum curso -qualquer um- de graduação e, com dois ou três semestres de técnicas de jornalismo, estariam formados como excelentes jornalistas. A mesma posição parece considerar plenamente eficaz que as empresas de jornalismo, isto é, os grandes jornais, mantenham cursos de treinamento como forma de aprontar os recém-saídos da universidade que, no dizer de Caio Túlio Costa, não chegam prontos às redações. A contradição é evidente mas pareceu ser ignorada. Os cursos de treinamento da Folha de S. Paulo ou do Estadão costumam durar cerca de 3 meses. Soa muito pretensioso supor que a empresa pode sanar as deficiências dos alunos mal formados, incompletos, insuficientes, após 4 anos, em tão pouco tempo.
Alberto Dines sugeriu que poderia ser como nos Estados Unidos, o candidato a jornalista faria um mestrado em jornalismo, não importando de que graduação viesse. Em boa hora, José Marques de Mello esclareceu que os dois modelos existem nos EUA. Tanto o mestrado quanto a graduação em jornalismo.
Em resumo. O programa tentou fazer a discussão, mas não resolveu nenhuma dúvida mais profunda. O melhor que fez foi propor uma enquete, via site do Observatório, com a seguinte pergunta:
O CURRÍCULO ACADÊMICO DAS ESCOLAS DE JORNALISMO É UM ASSUNTO DE INTERESSE PÚBLICO?
A votação está aberta. O voto deste blog, evidentemente, é sim.
AUDIÊNCIA PÚBLICA NA ALERJ - Dia 18 de maio, segunda-feira, participei, a convite da Presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, Suzana Blass, e também do Deputado Estadual Paulo Ramos, de uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado do Rio.
Objetivo do encontro, que reuniu sindicalistas, coordenadores de curso, Fenaj, alunos, professores e até um magistrado: discutir - ou compartilhar - argumentos favoráveis à exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo.
Proposta mais objetiva: Criação de uma Frente Parlamentar na Alerj em defesa da exigência do diploma.
CINELÂNDIA - 31 de março de 2009 - ATO EM DEFESA DO DIPLOMA

Se não me engana, quem disse isto certa vez foi o Henfil: só existe um modo de não se perder o trem da história, é estar nele. Estivemos lá, nós da Unisuam, nós do Centro de TV da Unisuam, para atender convocação da Presidenta do Sindicato dos Jornalistas, Suzana Blass. Também por gentileza da mesma, pude dizer umas poucas coisas. Entre elas: Que o Supremo Tribunal Federal deverá decidir a partir deste histórico Primeiro de Abril de 2009 se é constitucional a exigência da formação superior em Jornalismo para o exercício da profissão. Embora o editorial de O Globo diga, na véspera do dia, que a exigência do diploma foi uma decisão da ditadura militar, esquece de mencionar que, em 1988, a Assembléia Nacional Constituinte, eleita para elaborar a Constituição, manteve a exigência. Por que então, e somente 21 anos depois, o Supremo daria nova interpretação à lei? Além disso, como jornalista, pesquisador, professor e coordenador de um curso de Jornalismo, não posso ignorar o quanto há de complexo, de específico, de conhecimento suficientemente denso para justificar que se aprenda jornalismo numa faculdade. Lembrei o professor Nilson Lage que explicava há algum tempo que não se trata de "diploma", mas sim da formação de nível superior. Não faz sentido abrir mão do quanto se ganhou com a formação de nível superior para o exercício do jornalismo. Disse ainda que a informação é artigo de primeira necessidade, como a alimentação, como a liberdade. Exige, portanto, que aqueles que irão lidar com a transmissão dela sejam capazes de distinguir, criticar, defender a cidadania, cobrar do poder público.
Mais tarde, fiquei matutando sobre o que estivemos fazendo ali. Imaginei como seria cobrir aquele modesto ato público sem ter aprendido nada sobre as técnicas do jornalismo, sem conhecer nada sobre a história do país, sem saber quem eram as poucas mas importantes pessoas que por ali circularam, sem precisar saber o que significa o simbolismo histórico daquela praça chamada Cinelândia. E mais, como alguém formado em direito, medicina ou engenharia daria cabo de organizar aquele tanto de imagens e sonoras numa narrativa audiovisual que fizesse sentido, que esclarecesse quem viessse a assistir a matéria que ali foi realizada? Como faria um roteiro, um esqueleto, uma decupagem, o que faria na chamada, na passagem, no encerramento?
Lembrei também que há cerca de 29 anos, estive ali para o meu primeiro ato público. Era um protesto contra a bomba na OAB e os incêndios em bancas de jornais. Ações retardatárias de uma ditadura que começava sua distensão. Calouro assustado e empolgado, não entendi quando meus olhos começaram a arder devido a um pó químico jogado no ar para dissolver a manifestação. Hoje, fiquei novamente com os olhos ardendo, mas creio que tenha sido por motivo diferente... Ou talvez tenha sido, no fundo, por razões semelhantes.
NOTA ALVISSAREIRA - Em 1/04/2009
Pode ser que eu esteja enganado, mas li hoje no globo.com que, embora 4 ministros do STF já tenham sinalizado voto a favor do fim da exigência do diploma, há outros ministros que se mostram preocupados com a qualidade da formação. Começou a votação sobre a Lei de Imprensa. Mas a questão do diploma foi adiada para 15 de abril. É a primeira vez que leio uma notícia que não confirma o que a Folha de S. Paulo chamou de "favas contadas" e que O Globo, em editorial, deu como fato consumado. A ver!
ENERGIA - O canal do Sesc (SKY) exibiu, ou re-exibiu no dia 02/04/09, o programa Diálogos Impertinentes. O físico José Bautista Vidal (que vi pela primeira vez na tv) e o engenheiro aeronáutico Ozires Silva participaram do programa que teve como mediador o filósofo Mário Sérgio Cortela. O que me chamou atenção foi a explicação, incompleta, de Bautista Vidal para a diferença entre os combustíveis fósseis, como o petróleo, e o biocombustível. De acordo com o físico - que acha que a grande fonte de energia está no sol - enquanto o petróleo demorou 600 milhões de anos para se formar, o óleo de girassol demoraria uns três meses. Logo, segundo ele, a natureza absorveria bem mais facilmente o gás carbônico que fosse lançado na atmosfera pelo biodiesel do que pelo petróleo e seus derivados. Faz sentido, mas o problema estaria na quantidade de petróleo já existente ou na qualidade mesmo dos compostos orgânicos dos fósseis e dos não fósseis? Isto ele deixou de explicar. O debate, evidentemente, era sobre energia. Na verdade, o programa foi realizado em 2005 e agora reapresentado. Mas, pelo que vi, o que contém continua valendo.
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